sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Preciso dormir

Preciso dormir.
Preciso de algumas horas a mais.
Sei lá...talvez apenas dormir por uma semana inteira.
Não! Acho que um mês não bastaria.
Preciso dormir...
"para descansar a alma dos sentimentos".
Não há vida, nesses tempos do "tem que ser agora", que permita à alma descansar.
A bichinha, coitada, se expreme entre as obrigações da rotina de uma "cidadã" atolada no sistema e a ansiedade de recuperar o tempo perdido, que joga esse ser na busca pelas variadas facetas do prazer anestesiado. "Vem prazer! Hoje eu tô facinha! Tenho algum tempo disponível pra você! Tem que ser agora!!!"
Cadê espaço pra alma se mostrar? Mal susurra em alguns sonhos coloridos esquecidos ao amanhecer.
O peito passa a amontoar uma massa estranha, desconfortável. A respiração começa a ficar mais curta e mais rápida... Até que a alma angustiada solta um suspiro! Dois.... cinco suspiros. "Ih! Que monte de suspiro é esse?! De onde vem isso?"
O olhar não pára. Pisca sem parar e busca alguma coisa sem nome, sem forma, não compreendida, sem distinção se é objeto, pessoa ou lugar. "O que tanto esses olhos buscam?! Chegam a estar vermelhos, cansados!"
Exaustão!
A alma grita: "Pára tudooo! Quedê silêncio? Deixa eu falar!"
Eu sei, alma minha, me perdoe. O diálogo tem sido pouco. Não ouço nada. Tanto barulho!
Pode gritar comigo! Venha com tudo sobre mim e deixe sua inspiração transbordar outra vez.
Escrevo este texto para dar-lhe minhas mãos como instrumento de suas palavras, em reconhecimento do meu descaso. Me joguei na correnteza da vida e ela tem me arrastado, sem que eu exerça muitos esforços para transpor o caminho e seguir alguns dos rumos que ainda ouço você sussurrar pra mim.
Não diria que isso seja de todo ruim. Me pergunto: "O que a vida quer de mim?" 
Acho que me jogo para tentar ouvir alguma resposta. Tenho chegado a alguns lugares novos.
Mas talvez você tenha olhos melhores de ver os sinais, em você estão meus insights, meu instinto. Aceitar o que a vida oferece, percebendo os sinais que a alma nos faz enxergar, os rumos a se tomar... Me parece que sim, talvez esse seja um caminho do meio a trilhar.
Nada como um bom diálogo para pormos tudo às claras!
Te prometo tentar mais horas de meditação, minh'alma.
E agora eu vou dormir, para deixar você, descansar de tantos sentimentos meus.
Boa noite!
Te vejo nos sonhos mais coloridos!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Um dia voa

Antes ter amores abandonados a própria sorte no peito, que ser possuidor de terreno pedregoso e infértil dentro da couraça.
Amores deixados murcham na saudade do que não foi. Também deixam brotos germinados que acabam florescendo em sentimentos sublimes de frutos amadurecidos. Como ciclo que se renova, campo que se aduba e faz semear novos rumos.
Vislumbre a beleza que existe em cada história, a diversidade e potencial de amor e compaixão que está em cada ser.
Para além das identidades, para além do que se é com o outro, há sempre amor a repousar como filhote de passarinho à espreita no ninho e a espera da hora de aprender a voar. 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Meditando o tempo

O tempo...
Passou. Passa...
Quanto mais passa,
Vai se entendendo que pra tudo tem um tempo
Se não é o tempo da coisa, 
Almas se encontram e se entrelaçam por segundos
E passam a infinidade do tempo a tentar acertar os relógios
Como num tic-tac descompassado de dois relógios que se estranham em desarmonia e que tentam ajeitar ponteiros. 
Duas almas se perdem na estrada do tempo
E quem sabe o passado ou num tempo que vem, se vier... Talvez...
O tempo do mundo é o talvez agora ou o quem sabe depois 
Mas pro lado que se olha, se vê rostos que passam, luzes a polarizar as cores.
Se abrir bem os ouvidos, há sons a lhe dizer bom dia. Há música. 
Há perfume. 
Há a possibilidade mágica de transmutar o tempo, quando há intenção em cada segundo vivido. 
Os momentos bastam. Cada um deles. 
Se há duas almas que se encontram por segundos, que transmute o tempo em tempo vivido.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Jogue-se nela!

Maturidade.
Só o tempo.
Só com o tempo...
Dá para entender que não há maior conquista que aquela alcançada sem prejuízo de outros. E que toda escolha tem consequências.
Não dá para agradar a todos nunca. Há sempre aqueles que vão fingir que gostaram e também aqueles que fingem que não gostaram.
Há sempre aqueles que vão discordar de tudo e de todos, só pra contrariar mesmo, nada além disso. Nada pessoal.
O mundo em que vivemos não é justo... Então melhor ampliar o olhar e tentar entender o que levam pessoas a serem injustas. Provavelmente também sofreram injustiças ou vivem circunstâncias difíceis. Melhor não esquentar tanto assim. Ao menos, que não seja até o fim.
E se há algo que vale a pena são os amigos. Aqueles que tornam qualquer atmosfera pesada em ambiente de gargalhada, abraço e cumplicidade.
"A vida é curta para ser pequena."
Então como viver para trabalhar?!
Quebrar regras é altamente saudável!
O amor? Não se acha, nem se enxerga com os olhos. Acontece.
Ao primeiro sinal de amor, se aproxime e deixe transbordar. Sem exitar.
No segundo sinal de amor, somente ser ferramenta para expansão do potencial do outro e viver a liberdade de sentimentos!
Caminhar junto é a idéia.
Apegar-se é gerar expectativa, gerar expectativa acaba por levar a sofrer
É preciso apenas ser! A cada momento, receber com gratidão o que a vida oferece e viver, sem pestanejar.
Não há dor que não venha para curar.
Não há peito que permita estancar sentimentos arrebatadores...
Não há sentimento óbvio e arrebatador estancado que não exploda em rompante... raramente sadio.
Vez ou outra um update emotivo é imprecíndivel para manter o bom funcionamento da vida.
Limpar o HD de gente que não acrescenta pode ser necessário para abrir portas e janelas para visita de novas amizades, pra gente diferente, pra gente mais jovem...
Gente mais jovem traz energia! Enxerga diferente, tem entusiasmo, relembra a espontaneidade vital do ser humano, ensina!
E para gente mais velha. Gente mais velha traz o vislumbre da beleza da sabedoria do passar do tempo. Faz lembrar que a vida passa mais rápido a cada segundo e que não resta no mundo tempo para pestanejar. O jeito é viver!
Se jogar na corrente da vida geralmente te leva ao lugar que vc tem que chegar. É só ter mente aberta pra ver com os olhos da alma.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

TERRA FÉRTIL

Em tempos de desamor, egoísmo exacerbado e violências gratuitas, qualquer bom sentimento envergonhado traz um montão de claridade.
Os moços cinzentos de caras sérias, de vidas sérias, de infindável seriedade de fazer chover bens e dinheiro em suas hortas, não enxergam além dos jardins poeirentos de suas próprias solidões e as de seus entes.
A lógica dominante, massificada quase como lavagem cerebral da humanidade faz girar o dia e o mundo num embalo cíclico de consumir para ser consumido. Um INconsciente coletivo. 
Escravos do trabalho, escravos do consumo, escravos da informação excessiva. Escravos de uma tendência ao egocentrismo, enclausurados em suas telas touch, fones de ouvidos, paus de self de não-relação.
É espantosa a normalidade mórbida posta à ausência de céu aberto sobre nossas cabeças e à falta de estrelas na noite, tristemente apagadas pelo excesso do mundo contemporâneo.
Excessivo, porém avarento. Excesso pra uns poucos às custas de muitos com tão pouco ou quase nada.
Estranho mundo de não-relação.
Estranho mundo em que gera estranheza um olhar sincero de bom dia vindo de um estranho.
Estranho mundo em que a dor do outro causa aversão e fuga ao invés de sentimento solidário.
Estranho mundo que naturaliza uma realidade em que as crianças passam muito poucas horas do dia com os pais.
Estranho mundo em que espontaneidade é sinônimo de loucura.
Quando, na verdade, padecemos de carência de espontaneidade.
Os passos são dados e as palavras pensadas com destreza para enquadrar aos padrões vendidos como ideais.
Tanta criatividade sufocada...
Tanto sentimento racionalizado para agradar a qualquer um, para seguir "o correto".... para permanecer incompleto...
E de incompletude vai sobrevivendo a humanidade, cheia de vazios criados, distanciamentos inventados...
Na contramão, como loucos desvairados, uns trocam conversas descompromissadas nos transportes públicos, dão boa tarde a algum transeunte desconhecido de olhos brilhantes e cheios de cumplicidade com a vida. Outros lêem poesia murmurada em volume suficiente para fazer com que os que os cercam no ponto de ônibus se contaminem com a beleza das palavras. Dançam na praça, estendem as mãos, trocam palavras de afeto.
São sinceros com seus sentimentos.
Vivem amores mesmo que proibidos, olham nos olhos, roubam beijos e abraçam apertado.
Não tolem. Compreendem.
Sabem ser terra fértil.
Têm amor e não o sufocam.

domingo, 7 de junho de 2015

Dona Benta - fazendo jus ao codinome

Fazendo jus ao codinome, resolvi postar uma receitinha saudável minha.
Acabei de inventar para o almoço de domingo.

Panqueca de castanha com recheio de batata baroa, shimeji e ervilhas frescas

Massa
- 1 copo de leite de castanha do pará (substitui o leite de vaca, mas pode ser leite mesmo)
- 1 ovo
- 1 copo com 3 colheres de sopa de cereais e o restante de farinha de trigo.
(Eu usei uma mistura de quinoa, aveia e amaranto... vai da imaginação de cada um, pode ser apenas m tipo, mas que seja desses cereais parecidos com farinhas grossas)

*Para fazer 1 copo de leite de castanha basta deixar 1/3 de um copo de castanha do pará de molho em 1 copo de água por cerca de 8 horas. Bater no liquidificador e coar em um pano de prato. (o bagaço da castanha pode ser usado em outras receitas, até mesmo no recheio da panqueca, se quiser huuum!)

Modo de preparo:
Bater os ingredientes no liquidificador e, em porções de uma concha rasa, fazer as panquecas na frigideira antiaderente com um pouco de azeite. O segredo é colocar pouca massa e ir movimentando a frigideira em movimentos circulares para espalhar bem a massa e ficar bem fina. A massa avisa a hora de virar! Quando ela se solta sozinha, quando balançamos a frigideira, é hora de virar.
Recheio
- 2 batatas baroa (mandioquinha) médias cortadas em cubos pequenos cozidas ao dente
- 200g de shimeji fresco
- 10 vagens de ervilha frescas
- 1 cebola roxa média cortada em quadradinhos
- 2 colheres de sopa de azeite
- 2 colheres de sopa de shoyo
- um pedaço de 2-3 cm de gengibre
- sal

Modo de preparo:
Separar as ervilhas de dentro da vagem e picar bem picadinho as vagens. Reservar ambas.
Em  uma panela, aquecer o azeite. Acrescentar a cebola roxa, o gengibre, o shoyo e uma pitada de sal e refogar por 5 minutos, pingando água de vez em quando para não agarrar.
Juntar o shimeji e a ervilha e deixar cozinhar por cerca de 15 minutos ou até ficar macio.
Acrescentar a batata baroa cozida e deixar por 1 minuto para pegar gosto, sem deixar desmanchar.





Molho
- o suco de 1 limão
- 2 colheres de sopa de óleo de gergelim
- 4 colheres de sopa shoyo
- cerca de 2 dedos de água em um copo americano
- cebolinha picada
- 1/2 nabo pequeno ralado fino

* Se não tiver o óleo de gergelim, pode usar azeite. Mas o sabor vai mudar um pouco. O óleo de gergelim é bem saboroso!

Modo de preparo:
Colocar todos os ingredientes em uma frigideira e deixar até a cebolinha e o nabo estiverem macios. Se precisar coloque mais água e prove o sal.

Montagem
Agora é só montar as panquecas, colocá-las em um refratário untado com um pouco de azeite, regar com o molho, espalhando a cebolinha e o nabo e deixar no forno aquecido por cerca de 10-15 minutos. Não fica uma panqueca lambuzada de molho. Rende 9-10 panquecas.

 Se fizer, me conta!?

terça-feira, 26 de maio de 2015

Desapega!

E essa necessidade de categorizar as coisas, dar nomes, medir, quantificar....
Sempre atrás de opiniões que contrabalanceiem as nossas, mesmo sem querer ouvi-las. Pra compreender e categorizar melhor? Pra amadurecer idéias ilusórias?
Sempre se baseando em uma dualidade dita existente em todas as coisas.
Não quero querer opiniões, nem mesmo quero as minhas próprias.
Que besteirada!
Será que posso calar a voz.... essa da fala e aquela outra sussurante incansável de dentro de mim?
Será que, por misericórdia, posso ouvir o silêncio outra vez?
Não quero medir, categorizar, nem mesmo sentir a diferença entre as coisas.
Só viver. Está bom só isso.
Que cansaço! Que chatice esse ser pensante! Posso ser algo amorfo gelatinoso e sem cérebro por alguns dias? 5 minutos talvez?
Vinha eu tão bem por somente seguir... Somente me ser, sem pensar, por viver.
Mas é isso...
Vida é um desafio ao desapego. Se não for aprendendo a lição no caminho, os tombos ficam mais altos e doloridos.
Lição tomada, não são mais tombos, apenas tropeços, que nem mesmo atrasam o passo. Descompasso só pra não fugir da memória: "Desapeeega!"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Noite!?

É noite.
Madrugada.
Período pouco confortável usualmente, quando o instinto avisa que é hora de se recolher, repousar para um novo dia...
Mas hoje a alma implora por atenção. É tempo de acordar quando clareia tudo à luz da lua. As flores exalam perfume que não existe em outrora na cidade... num aroma que se mistura com gotas de chuva que, como raridade, insistem em cair e trazer a brisa milagrosa do verão caliente infernal. Refresco do corpo, do espírito. Como benção... A pele estranha o vazio, o ser implora: poesia, sinceridade, por si.
E as horas passam... em claro para ouvir, sentir.
Budismo em filme, vidas contadas, amizades relembradas.
E a mente que tenta não mais ser.
Em férias planejar viagem solitária, busca de paz e de si... Nada disso importa, pois a viagem é interna, não está lá, nem ali. Basta estar em qualquer lugar, abrir os olhos e VER, SER, sentir.
Minh'alma implora por solidão e silêncio, mas tudo mostra que devo encontrar o silêncio aqui, na tormenta construída por mim e pelas crenças que um dia foram depositadas nestas vestes que hoje habito.
Sigo assim, encontrando poesia no que, um dia, achei ruim,
Esquecendo a mente, me lembrando de mim,
Sem mirar adiante, vivendo enfim...
A noite clareia.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Mais um apelo

Queria lhe dizer que sinto sua falta.
Vivi momentos ao seu lado de completa plenitude... Harmonia. 
Eram momentos de vazios plenos! Plenitude por ter você, por SER você. 
Você sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis.
Sim, claro! Alguns dias sua presença me perturbava extremamente. Não queria te ouvir!!!
Mas qual relação não tem momentos de desentendimentos?
Hoje sinto o gosto amargo por ter desejado que você partisse...
A rua cheia de gente, carros, tumultos.... minha mente cheia de pensamentos que não me levam a lugar algum... alguns pensamentos nem mesmo são meus... é tudo tão perturbador sem você...
Por isso escrevo essas linhas, em momento de extremo cansaço.
Volta pra mim!
Meu querido SILÊNCIO, volte e esvazie minha mente, aquiete meus pensamentos, acalme minha pressa, para que juntos possamos dar lugar ao amor transbordante outra vez!

Escrito em 04.12.2014

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Seres

Ser feito
Ser filho
Ser frágil
Ser fraco
Ser fértil
Ser frívolo
Ser forte
Ser firme
Ser fatigado
Ser fraco
Ser frágil
Ser findo

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Para não deixar palavras sinceras se perderem na pressa

INSPIRAÇÕES NA POÇA 3
17.10.2014

LEVE
Nas pontas dos pés flutua
Por sobre as cabeças da pressa
Sem vestes, nua
Em passo dançado
Descompasso do passo da rua

Cidade, paisagem nebulosa
Sob os olhos marejados de viveza
Olhos que olham através
E só veem beleza

Na certeza do incerto
No apego ao desapego
Pactua sentimento
Sem lamento
É só leveza

Para não deixar palavras sinceras dormirem ao relento

INSPIRAÇÕES NA POÇA 2
09.09.2014

Sou grata
Aos momentos de desespero
Aos momentos de profunda tristeza
À solidão, ao sentimento de vazio
Ao sentimento de não pertencimento
Sou grata àqueles que me desiludiram e àqueles que me decepcionaram
Aos que me traíram
Grata aos que se disseram meus inimigos e também àqueles que se disseram amigos não o sendo
Sou grata aos que me causaram injúrias, tendo sido estas físicas ou morais
Sou grata aos dias difíceis
Às discussões sem sentido ou motivo
Aos intransigentes, aos egoístas
Sou grata aos que não acreditam em mim
Sou extremamente grata aos meus hormônios femininos que me desestabilizam!
Sim, sou grata, verdadeiramente grata
Sou grata por me parecerem tropeços, que me fazem pisar diferente, rumo ao que me é verdadeiro, rumo às mudanças que me trazem de volta pra mim.

Gratidão!

Para não deixar palavras sinceras soltas ao vento

INSPIRAÇÕES NA POÇA

02.10.2013

Que coisa é essa que tanto quer?
Mas se tem já quase não quer
E se ainda quer, já quer querer não ter?
homens...

Que coisa é essa que tanto diz que não quer?
Mas se não tem, sofre querendo ter
E se quer, já quer fingir não ser.
mulheres...

Que coisa é essa que vive querendo não ser?
Que vive sempre a dizer não sei?
Que se larga de si pelo conto do "TER"?
humanos...