segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Não vim ao mundo a passeio

 
                                                                                                       Foto: Virginia Primo
Pois é. Tanto falei, no início, que aconteceu. Fiquei meses sem escrever no blog.
Em meio a mudança e adaptação a nova casa, não deu para escrever.

Volto a escrever, mas não vou escrever sobre um bebezinho, como de praxe. Ao contrário, vou falar sobre um senhor, um velho homem do mar.

Num dia destes, encontrei Arduíno Colasanti no catamarã, em Charitas. Após quase 10 anos sem vê-lo, me deparei com um senhor idoso, de cabeça completamente grisalha e com o rosto marcado por muitas rugas e marcas do sol.
Quando eu tinha meus 20 e poucos anos, fiz um curso de mergulho, em Jurujuba, com Arduíno. Já era um senhor de idade, e o que mais impressionava nele eram as fantásticas histórias que ele contava entremeando as aulas teóricas de mergulho. No início achava que eram histórias de pescador. Nada mais apropriado para um senhor que vive em uma comunidade de pescadores.
Ele me contou que foi galã de cinema, que foi o pioneiro do surf no Rio de Janeiro (surfava em uma prancha de madeira), trouxe a primeira prancha de fibra pro Rio, além de muitos mergulhos em lugares exóticos, como Ilha de Trindade, Arquipélago de Manoel Luis (Maranhão), e outras histórias fantásticas.
Depois de pesquisar, descobri que tudo que ele tinha me contado era verdade, além de descobrir que ele fez o primeiro nu de frente masculino do cinema brasileiro! Quase um Forest Gump! ehehe
Passei a admirá-lo ainda mais. Ele era um super professor, sempre preocupado com a responsabilidade e a segurança no fundo do mar e com o meio ambiente!
Até que no meu batismo do mergulho, nas Cagarras, ele me pegou pela mão e me levou dentro de uma gruta submersa bastante estreita. Tive que entrar por um lado e sair por outro, como em um filme de aventura.  Não dá para esquecer aquele dia!
Enfim...

No catamarã, ao vê-lo bastante idoso, caminhando já não tão habilidosamente, não tive aquele sentimento que se tem, normalmente, quando vemos o ser humano envelhecer. Daqueles sentimentos que coloco com aqueles de quando vemos bebês e idosos. Não sei descrever.
Ao invés disso, lembrei de todas as histórias que ele me contou, de todos os seus feitos, de uma vida que fez diferença. Definitivamente ele não veio ao mundo a passeio!

Então pensei, que quero envelhecer assim, e ter histórias para contar ao Bento e aos netos, e ser um exemplo de alguém que viveu!

domingo, 8 de maio de 2011

A primeira vez a gente nunca esquece!

DIA DAS MÃES
Sempre questionei essa data.
"Que data mais comercial! As pessoas ficam frenéticas em shoppings, fazendo compras e gastam até o que não podem em presentes. Chegando o domingão, os restaurantes ficam com filas megalomaníacas como se estivessem oferecendo um buffet especial inteiramente de graça! Aí a família fica toda amontoada na porta do restaurante, com o nível de mau humor sempre crescente, considerando a eterna espera. A vovó de quase cem anos precisa de cadeira, água para o remédio, banheiro, mas tem que ficar esperando lá fora para comemorar o dia das mães. Quando finalmente a nossa mesa está pronta, descobrimos que o restaurante está barulhento demais, o serviço está ruim demais e a comida demorando demais. E... ih! Minha mãe calça 38 e não 37, vai ter que trocar o presente."
Hoje foi o meu primeiro dia das mães como mãe.
Minha opinião sobre o dia das mães? Continuo achando uma data que o comércio inventou. Mas o ângulo mudou!
Acordei e logo ganhei presente, flores e massagem. Meu melhor presente ficou embrulhadinho na colcha, deitado na cama, de chameguinho com a mamãe!
Meu dia teve direito a sushi em Santa Teresa e chá gelado com doce de banana no Parque Lage! Até vi a Intrépida se apresentando nos jardins! Minha companhia era sensacional! Os dois sereszinhos que mais amo!
Enfim... um dia perfeito!
Mas apesar de todos os momentos especiais do meu dia, que poderíamos ter vivenciado em qualquer outro dia do ano, não foi isso que me fez mudar o ângulo pelo qual eu enxergava o dia das mães.
O que mais me tocou no dia de hoje foi perceber a existência de uma cumplicidade única entre as mulheres que são mães. Fosse pela boca de minha mãe, ou pelas diversas bocas de completas estranhas, mas também mães, que encontrei, o Feliz Dia das Mães! fazia brilhar os olhos daquelas mulheres, dizendo muito mais! Os olhos delas me diziam: "ser mãe é uma das coisas mais divinas que pode acontecer para uma mulher; como é bom cuidar de um bebê; como é bom ter o amor de uma criança; como é bom conceber e viabilizar uma vida; fico feliz por você!"
Feliz dia das mães para todas as mamães! Todo dia é dia!
A primeira vez a gente nunca esquece!
Obrigada ao papai do Bento, que tornou este dia tão especial!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

E ele veio que veio!

Planejado, desejado e, ainda assim, uma caixinha de surpresas!
O ser humano tem o hábito de idealizar tudo o que está para acontecer.
Durante a longa ou rápida espera de 9 meses (depende do ângulo que se olha! rs), cheguei a sonhar com um menininho. Ele estava sempre rindo para mim e eu gargalhava com ele, apesar de não conseguir ver seu rosto.
Neste ponto eu acertei!
Mas em todo o resto... a cada dia, uma nova surpresa!
Do parto natural para a cesariana; do calor de casa para o calor do banho de luz na UTI neonatal, da poesia da amamentação para a produção de leite desregulada, do primeiro mês de descobertas para as duras horas de cólica...
Passada essa fase difícil, as surpresas continuam. O sorriso começa a ser uma resposta às nossas conversas e não apenas um reflexo, ele já começa a saber como se comunicar, já identifica seus brinquedos queridos, seus pais queridos e até alguém mais próximo como uma avó ou uma amiga da mãe. Como gosta de tomar banho! E demonstra que adooora um chameguinho, tanto que chega a fechar os olhinhos quando mamãe ou papai chegam pertinho do rosto! Nada no mundo é mais gratificante!
Quando me perguntam quem sou eu, hoje, só me vem uma resposta: "Sou a mãe do Bento."
Aquela que eu era já não sou mais. Sou mãe!

Bento que Bento é o Wladi

"Bento que bento é o frade
FRADE!
Na boca do forno
FORNO!
Tudo que seu mestre mandar:
FAREMOS TODOS!
E se não fizerem?
LEVAREMOS BOLO!"

E que raio significa isso?
Brinquei muito desta brincadeira na minha infância, mas descobri que só depois de ter filho vc passa a questionar coisas que nunca questionaria antes.
Tudo bem, o frade pode ser bento, mas o que que está na boca do forno? o Frade? tá saindo ou entrando? Ou será o bolo?
Na minha versão, Bento que Bento é o Wladi. Imagino que o Bento acabou de sair do forno, e eu e o Wladi ainda estamos terminando de assar, para tornarmo-nos pais. Isso para sermos bons pais, o que requer maior zelo no preparo. Fazer filho é mole, "o que vale é o que vem depois"!
Filho muda tudo! Todo mundo fala pra gente, mas só dá para entender depois que nasce! Com toda a mudança, além dos novos questionamentos, a cabeça vira um bololô de emoções e idéias. Mas entre tantas trocas de fraldas, mamadas, brincadeiras, chororôs e golfadas, esse momento tão fascinante e transformador, acaba por não transformar por não dar tempo nem de processar muito menos de expressar tudo o que vem no pensamento.
Por isso o blog!
Já tive a experiência de escrever em um blog. Acho que foram uns 5 posts só. Ninguém lia, e eu também quase não escrevia.
No geral, se vc não é um escritor consagrado ou um assíduo nas redes sociais, acho q é assim. Vc escreve basicamente para vc! Se alguém ler, legal! Mas as palavras embaralhadas do pensamento se tornam compreensíveis depois que vão para a tela, mastigadas. O meu pensamento parece que vai na velocidade da luz, enquanto que minha capacidade de compreensão chega a velocidade de um patinete motorizado. Quando dá para parar para tentar entender, às vezes me surpreendo, ou preferiria não ter parado!
Aí vai mais um blog!
Bia, mãe do Bento, espero que vc goste do que eu escrever aqui, pq é tudo principalmente para vc!