quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Quê co sô?!

Quando passa tempo suficiente pra ter vivenciado experiências diversas, aumentado - e/ou diminuído - a família, criado um grande número de amizades, conhecido uma infinidade de lugares e pessoas, incoerentemente, é quando não se tem palavras pra saber quem se é e quando se percebe que no fundo o ser humano é sozinho.
Pessoas entram, passam e saem de nossas vidas como em uma estação de metrô. Poucos ficam. Às vezes ficam, mas já não estão.
E os lugares nunca mais são os mesmos de antes.
Quando é você que se vai pra longe, algo se rompe e, a partir daí é um completo despertencimento generalizado.
Quando volta, as pessoas são outras e se acostumaram com sua ausência. O lar é só matéria. Tem porta, janela, cadeira, mas não aninha. Algo se perde e não se acha. Nenhum outro lugar vira lar com aquela essência.
O tempo passado também revela o valor dos instantes vividos. Momentos difíceis viram pérolas no presente, cheias de significados e beleza.
E já não adianta olhar pra trás, senão pra lembrar que em tudo está a impermanência.
Pra hoje resta se permitir viver e enxergar a beleza e genialidade de cada instante. Quem sou eu já não importa mais.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Helena, "a reluzente"


Esses realinhamentos que acontecem em nascimentos e falecimentos têm algo de fantástico e necessário.
Como se uma nova peça fosse colocada em um jogo de tabuleiro, ou uma peça antiga fosse retirada.
Mais que nunca se torna visível a teia tecida entre todos. Visível pra quem queira enxergar. Um novo arranjo tem que ser configurado.
O movimento de um reverbera no outro e estremece e toca mesmo os mais distantes. Reconecta...
Todos agem, se reencontram, se comunicam, se percebem, se auxiliam.
Papéis se transferem, vidas se rearranjam.
Lágrimas alegres de mãe, jorradas sobre uma criança nascida, se transferem aos olhos do filho adulto que derrama doído sobre a mãe que, chegada a hora, parte.
Tem magia nesses momentos, me parece.
Por mais doído que se perceba o luto, a sabedoria de um idoso que fenece tem que transbordar. Sabedoria que se espalha sobre aqueles que velam. 
Um novo senso sobre a impermanência se revela: Nada permanece como está. Existe tanto amor... e o tempo passa rápido demais. 
Helena, "a luminosa", "a reluzente", agora brilha alto e é luz dentro da gente. 
🌠