quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Apelo de amor

O amor...
Como pode ser tabu falar de amor?
Como pode ter tantos que banalizam o sentido do amor?
Amar é um dom de permitir que o outro fique bem. É abandonar os quereres vis pela saúde (fisica e emocional) do próximo. É querer que o outro conquiste seus sonhos. Mesmo que estes sonhos não incluam você.
Amar é o dom de compreender, ou tentar. E ver sob o ângulo do outro. Tudo! Sempre!
Amor talvez não seja para os humanos... não o amor pleno, pelo menos. Talvez as crianças pequenas sejam capazes de amar ple-na-men-te. 
Mas... como ter o dom do amor, se aprendemos diariamente a competir, a ser mais, a ser melhor?
Amar a si? Somente não basta!
Dia após dia, se vê cada vez menos sentimento por aí. 
Sentimento em extinção...
E aquele amor para poucos, para o clã merecedor de todo afeto... Basta?
O mundo diz que não!
O planeta implora por mais!
Amor a tudo aquilo que é vivo!
Amar não é tão difícil. É?!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Dancemos!

Volta do trabalho.
Espremida no salão das barcas na estação praça XV, por cerca de 20 minutos, o povo estressado começa a gritar revoltado com a demora da espera em um espaço confinado. 
Ao meu lado, um menino de cerca de 18 anos, não consegue controlar seu tique e dança! De um instante estático, solta um estímulo compassado de dança, como num susto, e faz passos como de hip hop, misturados com traços de dança contemporânea. Dança mesmo! Sem jeito, ri, e os outros riem, em deboche, dele. Ele se acanha, mas põe as mãos sobre a boca contendo largo sorriso, depois abre as mãos espalmadas para o ar como quem diz "que posso fazer? Não consigo não dançar". E esses movimentos dançados se repetem e eu me contagio com a alegria do menino. Sorriso grudou no rosto.
Até que a porta do salão se abre. Hora de seguir rumo a embarcação!
O menino olha para meus pés e solta admirado: "que maneiro esse seu sapato! Tem corações vermelhos! Onde vc comprou? Quero dar um para minha mãe!"
Respondi a ele que eram velhos e que não fabricavam mais. E ele me respondeu com mais um largo sorriso: "ah! Muito obrigado! Você me ajudou muito hoje!"
E eu ganhei um abraço!
Acho que ele sentiu o amor em meus sapatos de corações vermelhos! Acho que ELE é puro amor!
Na expectativa de embarcar logo, a massa se move apressada em direção a embarcação, mas esta parte. Ainda não é a nossa vez.
Muitos bufam e praguejam. 
O menino? Pula e grita parecendo comemorar U-HUUU!
"Mais louco é quem me diz que não é feliz!"

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cansaço moderno

Cansei...
Do homem fraco que se diz forte
Da razão a frente do sentimento 
De viver a vida como se fosse morte
De olhar em volta e só enxergar lamento

Para onde foi a suavidade do vento?
Que balançava os cabelos e arrumava o pensamento?
Porque não mais mirar o mar?
Que acalenta a alma e alonga o tempo?

Porque não sempre amar?
Sem olhar a quem nem mirar o que vem além?
Para que tanta complexidade?
Se temos em nós a humanidade?
A que se referia a qualidade
E hoje é sinônimo de individualidade. 

Cansei...
Dos homens envaidecidos
Das mulheres que ignoram o feminino
Do conformar ser melhor que mudar
Do ter ser melhor que ser
Do ver ser melhor que o tocar
De não ver mais nos outros o sonhar

Engarrafamento, cimento
Trânsito e pânico
Salto alto, rímel e Lib
Estresse, finesse
Touch, Blue Ray
Banalidade, corrupção
Ponto eletrônico, magnético
Rede social, solidão...

Ah! Se os homens lembrassem
Do potencial de beleza que há lá dentro
Que na vida o que vale mesmo é o sentimento...
É a leveza
A pureza
As coisas simples, de amar

terça-feira, 9 de abril de 2013

Muito prazer! Hoje eu sou a Dona Benta

Tempos atrás fui para longe
De meus amigos me afastei
Liberdade enfim achei
Em terra estranha onde morei.

Tempos idos e amigos crescidos
Saudade deixou peito moído

Mas vida que segue
Num instante passa
E lá se foi a inocência
Estendi minha paciência
De meus anseios me esqueci.

E já não notavam a minha ausência
Se adaptaram a minha não presença
De meu ninho me perdi.

Paciência se rompeu
Me cansei de ser só eu
Lancei vôo de retorno
Para o lar que achava meu.

E os castelos construídos
Cheios de sonhos embutidos
Se evidenciaram de areia
Desmancharam na primeira cheia.

A enchente levou os sonhos
Mas varreu as ilusões
Os sonhos eram apenas sonhos
Realidade é o que é meu

Os amigos perdidos
Já de tantos anos idos
Pareciam esquecidos
Da amizade que um dia nasceu

Reencontrados cada qual em seu canto
O amigo próximo ficou distante
E o distante agora é próximo
Como a vida muda tanto!?

De todos guardo os sorrisos
De meus tempos idos
De meu futuro amigo
Tento não ver só meu umbigo

Escolhi ser diferente
Com isso vivo contente
Olho sempre o que os outros fazem
Mas sigo meu nome e vivo à margem

Voltar àquele nicho não mais espero
Ter lugar de destaque na vida de alguém
Nem sei se agora quero
Mas essa esperança é da mente
Isso eu não nego

Hoje sou eu e Bento
Eu e meu rebento
Com isso já me contento

Meu mundo hoje é "adzzzul"
É o mundo que ele me apresenta
E a cada dia a vida me reinventa
Muito prazer! Hoje eu sou a Dona Benta!

segunda-feira, 4 de março de 2013

tim-tim !

Li que saturno estava em libra desde 2009 até quase o fim de 2012. E que isso representaria uma provação dos relacionamentos em todas suas esferas... amor, família, amizade, trabalho... Fez sentido para mim.
E que agora saturno, este temido astro que interfere incisivamente astrologicamente em nossas vidas, estaria em escorpião. Isso significaria que aquilo que verdadeiramente te pertence tende a retornar a sua vida ou será construído a partir de agora (resumindo em minhas palavras).

Sabe lá se podemos basear nossos passos e crer em astros para seguir em frente. Mas é fato que minhas relações de amizade mais magicamente recordadas, apesar da distância, vêm ressurgindo pouco a pouco e me nutrindo. Até aquelas que não percebia tamanha importância retornam a mim e me fazem vibrar de alegria!

Então me deparo com os cúmplices olhares de antigamente, que me olham sorrindo e lembrando das estripulias da juventude de pouca responsabilidade. Vejo rugas que não conhecia, tons de cinza nos cabelos que antes não via...
Tão belo ver o amigo amadurecido,
ver o sentimento de carinho mantido,
gargalhar junto pelo mesmo motivo!
Uns viraram pais ou mães... como eu.
Como eu, viveram, sofreram, riram e choraram, criaram marcas e ainda buscam a felicidade.
Todos amadureceram. De uma forma ou de outra.
Mesmo que busque viver um fetiche rebelde de adolescente, porque percebeu que não o fez quando tinha que fazê-lo, mas percebeu também que não podia deixar de fazê-lo. Isto é amadurecimento.
Então o cabelo de um cresceu e se embolou, um outro voltou para a universidade, o trabalho sério de outro foi deixado para traz e deu lugar ao instrumento musical, os encantos da cidade grande já não nutrem mais alguns outros...
E a busca continua... a minha busca e a de meus amigos.

Plantei a semente do amor faz um tempo atrás.
Brotaram lindas amizades floridas.
Reguei por anos, mas tive que me distanciar e as flores murcharam, os galhos secaram...
Mas como sementes dormentes, sobreviveram às enxurradas da vida, ao calor e ao frio.
Hoje posso colher os frutos amadurecidos, carnudos de vida, suculentos de histórias, minhas apaixonantes amizades.

Um brinde a amizade!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Planos para quê???

Fazer planos...
Desde criança concretizei a idéia de que vim para esse mundo para ser mãe. Não conseguia imaginar uma vida sem filho. Mas demorei para decidir tê-lo.
Sempre esperando pelo momento certo. Ter emprego, morar num local adequado, ter certeza de ter curtido tudo que só dá para fazer sem filhos, ter uma rotina de trabalho que me permitisse participar do dia-a-dia do filho.
Os 2 últimos tópicos me aterrorizaram, tiraram meu sono e me fizeram exitar... por anos!
Até que me encostaram contra a parede e me questionaram "Vc não quer mais ter filho comigo?!"
Cedi...
Se passaram os 9 meses mais mágicos, de auto conhecimento e contato com minha espiritualidade da minha vida! Olhei para dentro. Profundamente. Tinha alguém lá dentro, mas eu tambem estava lá. E eu enxergava, sentia e ouvia claramente.
Que gravidez desejada e festejada! Foi perfeito!
Muitos planos...
Bento nasceu! Foi crescendo... Compramos casa, mais um carro... Finalmente tive meu primeiro microondas!
Bento continuou crescendo... Fez 1 ano!
E os planos foram abandonados.
Casa, carro, criar um filho, família... Projetos de vida bem projetados amassados como rascunho ou rabiscos num papel de pão. Pra quê planejar???
Não planejei criar um filho sozinha, muito menos morar numa casa enorme com apenas 1 criança. Não planejei ser mãe, servidora pública, dona de casa, chefe de família e administradora de toda a manutenção de um imóvel. Tudo ao mesmo tempo!!! Está ruim de dar conta.
E ainda tenho que sorrir e estar bem disposta para retornar aos meios de convivência social, para evitar de me perder no meio de minhas orquídeas, tomando café e calçando pantufas.
Mas tudo isso é nada quando penso no prejuízo real. Minha espontaneidade de quem concretizava sonhos se perdeu. Hoje tenho uma casa que simbolizaria minha independência e um lar onde eu poderia agregar tudo o que me dá prazer: amigos, jardim, costura, pintura, culinária, crianças... E dá tempo para isso???
Pior: aquelas minhas múltiplas funções me fizeram perder a espontaneidade ao criar meu filho.
Até ele completar 1 ano, conseguia enxergar tudo por uma ótica cheia de poesia; cuidava da educação e brincava de um jeito bastante lúdico. Sorria e era muito feliz por estar criando uma criança. Ainda sou, mas hoje faço tudo mal feito. Cuido mal de mim, cuido mal da casa, trabalho mal, não consigo ter das melhores relações de amizade, não consigo brincar e dar atenção ao Bento como gostaria. Não tenho mais a paciência que deveria...
Então para quê planejar???
Os planos existem para que existam as frustrações. Que são necessárias, pois geram o movimento para as grandes mudanças.
Mas que doem.
E no geral, os planos estão impregnados por critérios e características que não são nossos, mas de outras pessoas. Mesmo que inconscientemente criados.
Agora, do outro lado está o sentir e o improvisar.
Quando os planos são frustrados, o jeito é improvisar e muitas vezes ousar e se permitir experimentar.
Então não são planos; é intuição. E se está em mim a resposta para o caminho a seguir, basta silenciar e estar atenta aos sinais que estão em todo canto.
Está nas coisas e pessoas que me agradam, mas também naquilo que me incomoda ou constrange. Está na luz vislumbrada em algum lugar, em uma memória muito marcante; está nos sentimentos gerados nas minhas relações cotidianas.
É aquela sensação de deja vú, quando enxergo uma circunstância, um sentimento, uma pessoa ou lugar como se já fizessem parte de mim. Aí está a resposta! É confortável viver, ou conviver; estar ou sentir; é pleno e traz paz. Um sentimento de pertencimento.
Cabe a mim estar atenta e não exitar. Apenas.