
Foto: Virginia Primo
Pois é. Tanto falei, no início, que aconteceu. Fiquei meses sem escrever no blog.
Em meio a mudança e adaptação a nova casa, não deu para escrever.
Volto a escrever, mas não vou escrever sobre um bebezinho, como de praxe. Ao contrário, vou falar sobre um senhor, um velho homem do mar.
Num dia destes, encontrei Arduíno Colasanti no catamarã, em Charitas. Após quase 10 anos sem vê-lo, me deparei com um senhor idoso, de cabeça completamente grisalha e com o rosto marcado por muitas rugas e marcas do sol.
Quando eu tinha meus 20 e poucos anos, fiz um curso de mergulho, em Jurujuba, com Arduíno. Já era um senhor de idade, e o que mais impressionava nele eram as fantásticas histórias que ele contava entremeando as aulas teóricas de mergulho. No início achava que eram histórias de pescador. Nada mais apropriado para um senhor que vive em uma comunidade de pescadores.
Ele me contou que foi galã de cinema, que foi o pioneiro do surf no Rio de Janeiro (surfava em uma prancha de madeira), trouxe a primeira prancha de fibra pro Rio, além de muitos mergulhos em lugares exóticos, como Ilha de Trindade, Arquipélago de Manoel Luis (Maranhão), e outras histórias fantásticas.
Depois de pesquisar, descobri que tudo que ele tinha me contado era verdade, além de descobrir que ele fez o primeiro nu de frente masculino do cinema brasileiro! Quase um Forest Gump! ehehe
Passei a admirá-lo ainda mais. Ele era um super professor, sempre preocupado com a responsabilidade e a segurança no fundo do mar e com o meio ambiente!
Até que no meu batismo do mergulho, nas Cagarras, ele me pegou pela mão e me levou dentro de uma gruta submersa bastante estreita. Tive que entrar por um lado e sair por outro, como em um filme de aventura. Não dá para esquecer aquele dia!
Enfim...
No catamarã, ao vê-lo bastante idoso, caminhando já não tão habilidosamente, não tive aquele sentimento que se tem, normalmente, quando vemos o ser humano envelhecer. Daqueles sentimentos que coloco com aqueles de quando vemos bebês e idosos. Não sei descrever.
Ao invés disso, lembrei de todas as histórias que ele me contou, de todos os seus feitos, de uma vida que fez diferença. Definitivamente ele não veio ao mundo a passeio!
Então pensei, que quero envelhecer assim, e ter histórias para contar ao Bento e aos netos, e ser um exemplo de alguém que viveu!
