quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Quê co sô?!

Quando passa tempo suficiente pra ter vivenciado experiências diversas, aumentado - e/ou diminuído - a família, criado um grande número de amizades, conhecido uma infinidade de lugares e pessoas, incoerentemente, é quando não se tem palavras pra saber quem se é e quando se percebe que no fundo o ser humano é sozinho.
Pessoas entram, passam e saem de nossas vidas como em uma estação de metrô. Poucos ficam. Às vezes ficam, mas já não estão.
E os lugares nunca mais são os mesmos de antes.
Quando é você que se vai pra longe, algo se rompe e, a partir daí é um completo despertencimento generalizado.
Quando volta, as pessoas são outras e se acostumaram com sua ausência. O lar é só matéria. Tem porta, janela, cadeira, mas não aninha. Algo se perde e não se acha. Nenhum outro lugar vira lar com aquela essência.
O tempo passado também revela o valor dos instantes vividos. Momentos difíceis viram pérolas no presente, cheias de significados e beleza.
E já não adianta olhar pra trás, senão pra lembrar que em tudo está a impermanência.
Pra hoje resta se permitir viver e enxergar a beleza e genialidade de cada instante. Quem sou eu já não importa mais.