Quando passa tempo suficiente pra ter vivenciado experiências diversas, aumentado - e/ou diminuído - a família, criado um grande número de amizades, conhecido uma infinidade de lugares e pessoas, incoerentemente, é quando não se tem palavras pra saber quem se é e quando se percebe que no fundo o ser humano é sozinho.
Pessoas entram, passam e saem de nossas vidas como em uma estação de metrô. Poucos ficam. Às vezes ficam, mas já não estão.
E os lugares nunca mais são os mesmos de antes.
Quando é você que se vai pra longe, algo se rompe e, a partir daí é um completo despertencimento generalizado.
Quando volta, as pessoas são outras e se acostumaram com sua ausência. O lar é só matéria. Tem porta, janela, cadeira, mas não aninha. Algo se perde e não se acha. Nenhum outro lugar vira lar com aquela essência.
O tempo passado também revela o valor dos instantes vividos. Momentos difíceis viram pérolas no presente, cheias de significados e beleza.
E já não adianta olhar pra trás, senão pra lembrar que em tudo está a impermanência.
Pra hoje resta se permitir viver e enxergar a beleza e genialidade de cada instante. Quem sou eu já não importa mais.
Bento e Dona Benta
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Quê co sô?!
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Helena, "a reluzente"
Como se uma nova peça fosse colocada em um jogo de tabuleiro, ou uma peça antiga fosse retirada.
Mais que nunca se torna visível a teia tecida entre todos. Visível pra quem queira enxergar. Um novo arranjo tem que ser configurado.
O movimento de um reverbera no outro e estremece e toca mesmo os mais distantes. Reconecta...
Papéis se transferem, vidas se rearranjam.
Lágrimas alegres de mãe, jorradas sobre uma criança nascida, se transferem aos olhos do filho adulto que derrama doído sobre a mãe que, chegada a hora, parte.
Tem magia nesses momentos, me parece.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Finados
segunda-feira, 9 de maio de 2016
tum-tum tum
Inspirado nas ruas e nos estudantes em luta, quando muitos enxergam grande motivação para se rebelar, o coração abriu as portas do peito e se jogou em manifesto de tambor de couro esticado em punho.
Lembrou dos anos de afinco no desempenho de suas monótonas funções de bombear sangue, jorrar oxigênio, regular emoções.
Depois de dias martelando ritmado sobre as muitas vezes que teve que lidar com acelerações repentinas, ser preenchido para em seguida desinflar num sopro...
Tantas vezes trabalhou sob a tensão angustiante que o fez quase parar... quantos sustos e decepções...
Tesões e paixões.... que se vão...
Decidido, despiu parte de sua veste ventricular e colocou uma música para tocar. Uniu protons e eletrons a força entre suas cavidades e resolveu que dançaria independente da harmonia musical.
Como um dançarino contemporâneo mostrou um novo compasso de 3 por 2, estranho, mas que, curiosamente, cabia na música!
Bate esquisito. Se rebelou, porque cansou de tanto improvisar.
Mas não é nada não.
É que está faltando cinema com pipoca, abraço longo e sincero e banho de mar.
segunda-feira, 7 de março de 2016
Sobre ser mulher
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Me apaixono
Pode ser belo para os olhos.
Mas são as frestas abertas por descuido e que deixam ver um cantinho da alma, um tantinho da fragilidade e real beleza do ser que me fascinam.
Saber dos amores e dores; descobrir os anseios, as essências, os medos; conhecer as coisas simples que extasiam; ouvir as histórias que tramam a veste das emoções; saber das buscas e do que foi deixado para trás...
É a alma despida de véus, a entrega insensata, desavergonhada e imoral... seja por sengundos... seja apenas por uma troca de olhar de cumplicidade ou um gesto que expresse compreensão.
Me apaixono.
Naqueles momentos magnéticos que criam um campo de força ao redor e faz tudo o mais ficar parado... Resultado de trocas sinceras.
Então me apaixono pelo moço da poltrona ao lado que me conta sua história com olhos marejados durante um vôo de 1 hora de duração.
Me apaixono pelo senhor pescador que me olha com olhar de quem me conhece, se larga em espontânea conversa e com quem sinto profunda familiaridade por partilhar das dificuldades e belezas da vida dos homens do mar.
Quantas moças que dividiram com intensidade suas histórias de amor e de mãe, suas alegrias e dissabores... Apaixono.
Meus amigos...
E esses moços que entram e que passam e que abrem janelas com vista para paisagens das mais belas...
Me apaixono pelo lado mais humano de cada um. Desconhecido ou próximo.
Me apaixono por aquilo que faz lembrar dessa unidade de todos os seres, o que me liga a eles, a todos... Esse desejo inato de ser feliz.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
Preciso dormir
Preciso dormir.
Preciso de algumas horas a mais.
Sei lá...talvez apenas dormir por uma semana inteira.
Não! Acho que um mês não bastaria.
Preciso dormir...
"para descansar a alma dos sentimentos".
Não há vida, nesses tempos do "tem que ser agora", que permita à alma descansar.
A bichinha, coitada, se expreme entre as obrigações da rotina de uma "cidadã" atolada no sistema e a ansiedade de recuperar o tempo perdido, que joga esse ser na busca pelas variadas facetas do prazer anestesiado. "Vem prazer! Hoje eu tô facinha! Tenho algum tempo disponível pra você! Tem que ser agora!!!"
Cadê espaço pra alma se mostrar? Mal susurra em alguns sonhos coloridos esquecidos ao amanhecer.
O peito passa a amontoar uma massa estranha, desconfortável. A respiração começa a ficar mais curta e mais rápida... Até que a alma angustiada solta um suspiro! Dois.... cinco suspiros. "Ih! Que monte de suspiro é esse?! De onde vem isso?"
O olhar não pára. Pisca sem parar e busca alguma coisa sem nome, sem forma, não compreendida, sem distinção se é objeto, pessoa ou lugar. "O que tanto esses olhos buscam?! Chegam a estar vermelhos, cansados!"
Exaustão!
A alma grita: "Pára tudooo! Quedê silêncio? Deixa eu falar!"
Eu sei, alma minha, me perdoe. O diálogo tem sido pouco. Não ouço nada. Tanto barulho!
Pode gritar comigo! Venha com tudo sobre mim e deixe sua inspiração transbordar outra vez.
Escrevo este texto para dar-lhe minhas mãos como instrumento de suas palavras, em reconhecimento do meu descaso. Me joguei na correnteza da vida e ela tem me arrastado, sem que eu exerça muitos esforços para transpor o caminho e seguir alguns dos rumos que ainda ouço você sussurrar pra mim.
Não diria que isso seja de todo ruim. Me pergunto: "O que a vida quer de mim?"
Acho que me jogo para tentar ouvir alguma resposta. Tenho chegado a alguns lugares novos.
Mas talvez você tenha olhos melhores de ver os sinais, em você estão meus insights, meu instinto. Aceitar o que a vida oferece, percebendo os sinais que a alma nos faz enxergar, os rumos a se tomar... Me parece que sim, talvez esse seja um caminho do meio a trilhar.
Nada como um bom diálogo para pormos tudo às claras!
Te prometo tentar mais horas de meditação, minh'alma.
E agora eu vou dormir, para deixar você, descansar de tantos sentimentos meus.
Boa noite!
Te vejo nos sonhos mais coloridos!




