segunda-feira, 9 de maio de 2016

tum-tum tum


Inspirado nas ruas e nos estudantes em luta, quando muitos enxergam grande motivação para se rebelar, o coração abriu as portas do peito e se jogou em manifesto de tambor de couro esticado em punho.
Lembrou dos anos de afinco no desempenho de suas monótonas funções de bombear sangue, jorrar oxigênio, regular emoções.
Depois de dias martelando ritmado sobre as muitas vezes que teve que lidar com acelerações repentinas, ser preenchido para em seguida desinflar num sopro...
Tantas vezes trabalhou sob a tensão angustiante que o fez quase parar... quantos sustos e decepções...
Tesões e paixões.... que se vão...
Decidido, despiu parte de sua veste ventricular e colocou uma música para tocar. Uniu protons e eletrons a força entre suas cavidades e resolveu que dançaria independente da harmonia musical.
Como um dançarino contemporâneo mostrou um novo compasso de 3 por 2, estranho, mas que, curiosamente, cabia na música!
Bate esquisito. Se rebelou, porque cansou de tanto improvisar.
Mas não é nada não.
É que está faltando cinema com pipoca, abraço longo e sincero e banho de mar.

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